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O empreendedorismo e alguns mitos destrutivos

Caro leitor, desde muito tempo que escutamos sobre o potencial empreendedor dos brasileiros. Faz tempo que identificamos com facilidade textos e outros conteúdos destacando o apego cada vez maior de jovens e maduros, homens e mulheres pela liberdade e o universo de possibilidades que o empreendedorismo carrega. Pura realidade. Ser dono do próprio nariz, senhor da própria agenda – o que os experientes sabem muito bem que não significa mais tempo livre ou uma agenda mais leve – e curador dos próprios sonhos profissionais e de criação envolve e seduz, mas algumas idiossincrasias e confusões atrapalham e desorientam.

A começar pela imagem difundida por muitos e variados veículos de mídia, passando por acadêmicos renomados ou não, tentando diferenciar o empresário já estabelecido do “novo empreendedor”, uma divisão que não para de pé.

A questão é que essa contextualização microeconômica de botequim transformou-se em uma fábrica de rótulos, relacionando o empresariado danova era, ou seria algo como “empresariado do bem” (vejam como é fácil, criei esse rótulo em menos de um minuto), com as virtudes ligadas a consciência social, a sustentabilidade (mesmo que a empresa não traga danos ao meio ambiente e atue com um efetivo de 4 colaboradores) ou ao voluntariado. E como se não bastasse ainda cria um cárcere operacional de atividade para o “novo empreendedor”, onde segundo a cartilha vigente está sempre associado à inovação, à tecnologia, ao empreendedorismo social. Clichês bobinhos, criados certamente por gente que jamais empreendeu na vida.

Mas a fábrica de rótulos não para por aí. Não contente em promover a segregação ideológica entre o empresariado e o “empresariado do bem”, passou a classificar o empresário já estabelecido, vivido e naturalmente mais cético diante de modismos e clichês baratos, como algo velho, descartável, desconectado do seu macro universo ambiental/ social. Em resumo, o que se observa é que na nossa cultura, o ato do livre empreendedorismo até pode ser tolerado, mas desde que dentro de certos padrões, e obviamente submetido ao pensamento único. É a ditadura do politicamente correto em ação, desta vez na ceara da livre empresa.

Não se trata de ofuscar a importância incontestável dos esforços pelos gastos conscientes dos recursos naturais, da melhoria constante nas condições de trabalho, do engajamento em questões sociais. Mas o que se verifica é um cenário de sutil opressão de ideias, plantando um conceitual discriminatório, irreal, furado, falso e injusto. Afinal de contas boas e más práticas, antigos e novos padrões são constantemente misturados, descartados e reciclados em um caldo darwiniano que permite a evolução e a sobrevivência dos negócios. Não há racionalidade no descarte de tudo o que está relacionado a outras gerações, assim como nem tudo o que é novo é necessariamente bom. (O nazifascismo da década de 30 foi visto por muitos jovens alemães e italianos como uma evolução do pensamento político, e deu no que deu).

Sejamos claros, gente ruim, mal-intencionada, desatualizada e desconectada da realidade sempre existiu e sempre existirá em todas as gerações. E há ainda aqueles que tentam transmitir via puro esforço de marketing pessoal e factoides baratos algo que na verdade não são.

O fato é que este assédio moral contra o empreendedorismo – jovem, maduro, moderninho ou ancião, pouco importa – não nos favorece. Causa divisão, perda de referencial e desmobilização diante de causas, que estas sim, na minha modesta opinião, deveriam ser encampadas com rigor, união indiscriminada, esforço voluntário de participação e vigorosa reivindicação, em prol de políticas públicas que nos tragam alguma melhoria nas condições de competitividade, a partir da redução da massacrante burocracia que nos assola no dia a dia, uma maior contrapartida pelos impostos pagos e melhor infraestrutura.  O resultado seria uma economia mais próspera, a multiplicação de oportunidades, e forte desenvolvimento tecnológico – este indispensável para as soluções relacionadas a eficiência no uso dos recursos naturais). Nada na atualidade é mais civilmente correto, atual e sustentável do que isso.

Até o próximo.

Por: Gustavo Chierighini, fundador da Plataforma Brasil Editorial

Plataforma Brasil, uma butique especializada em projetos de investimentos e estruturações estratégicas.

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