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A experiência do franqueador ainda é o que faz toda a diferença

Práticas de gestão de franquias estimulam a integração e o relacionamento aberto entre franqueadora e franqueado, para a melhoria contínua do franchising

por Ana Vecchi – O Estado de São Paulo

Tenho participado de eventos sobre o franchising, como sempre fiz. Muitas vezes como palestrante, outras como participante, intermediadora. Na verdade, não interessa como participo.

O que interessa mesmo é o conteúdo apresentado a quem assiste, a responsabilidade sobre o que é dito, o histórico e a vivência dos palestrantes dentro do sistema de franchising e o nível de conhecimento de quem participa. Se um desses pontos não for de profundo domínio, um tema de palestra pode se definir como transformador e/ou inovador, sendo que já existe e é praticado há décadas por bons franqueadores.

E, então, você pode se perguntar o que é um bom franqueador, como evitar comprar franquia de um mau franqueador e como saber se ele é bom ou mau. Apresentamos as definições das boas práticas do franchising, por exemplo, em nossos cursos e palestras na Associação Brasileira de Franchising (ABF) e o que não defendemos lá pode-se definir como algo não tão estruturado nem tão profissional e/ou de menor risco.

Já dizia Ricardo Young, enquanto presidente da rede de idiomas Yázigi, que o bom franchising é sustentável. Isso já era praticado por ele quando a maioria das pessoas – entre elas empresários e executivos de sucesso – ainda entendia sustentabilidadecomo doação a orfanatos ou, os mais sofisticados, doação a ONGs, além de plantar uma árvore e/ou reciclar o lixo de casa, que dava status de “gente de ponta ou diferenciada”!

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Da quarta à sexta geração do franchising, as práticas de gestão das redes estimulam o learning network, a integração e o relacionamento aberto franqueadora/franqueados, a comunicação transparente, a formação de conselho de franqueados (eleitos pelos próprios franqueados) como mais um canal de comunicação e levantamento de necessidades das redes, comitês de franqueados por área de interesse e domínio de assuntos em que podem colaborar com a própria rede, consultoria de campo com o papel de desenvolver a gestão dos franqueados através do princípio de melhoria contínuae não de punição, há franqueadores com programas de excelência para franqueados e equipes, as premiações vão de viagens a descontos nos royalties – supervalorizado pelos franqueados como um bônus e não como “agora sim vou pagar um valor justo de royalties”.

Muitas pessoas, mas muitas mesmo, me perguntam o que acho deste ou daquele movimento que está acontecendo no franchising brasileiro e se surpreendem quando veem meu nome na lista de participantes ou me encontram na plateia. Para saber se concordamos ou não, é preciso estar presente, participar, ouvir e colaborar. Críticas, sempre, com o objetivo de agregar experiência, conhecimento, história, fatos, ferramentas. Há espaço para todos que quiserem contribuir com nosso franchising, referência no mercado internacional.

Só não devemos generalizar e usar como parâmetro as empresas que não foram as melhores em seus processos de expansão, as que não são reconhecidas como as mais transparentes em seus modelos de gestão, as que franqueados adorariam ter uma associação que os representasse em vez de um conselho e que a redução de royalties significa a sobrevivência de uma rede e não “algo além do esperado”.

O que é transformador para alguns é o básico para outros ou, ainda, um caminho já percorrido por tantos que aprenderam que o bom franchising é colaborativo, sustentável, sob medida a cada rede e a cada cliente, clusterizado por tempo de rede, por problemas ou qualidades comuns e reconhecido pelos consumidores e multifranqueados.

Não fosse isso, e muito mais, não estaríamos aqui! E que bom que, ainda hoje, consigamos transformar aqueles que precisam alcançar as práticas do bom franchising para toda sua cadeia de valor.

Ana Vecchi é consultora de empresas, CEO na Ana Vecchi Business Consulting, professora universitária e de MBAs, pós-graduada em marketing e com MBA em varejo e franquias. Atua no franchising há 28 anos em inteligência na criação e expansão de negócios em rede.