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Empreendedorismo: uma conversa séria sobre Redes Sociais

Caros leitores, muito já se falou (e se constatou) sobre o poder das redes sociais, e do quanto uma atuação no seu universo pode ser importante para o seu negócio.

Contudo, como tem sido comum no ambiente das temáticas corporativas – em meio a mitos, modas, modinhas e conversas sérias – encontramos um universo de palpites, chutes e clichês que pouco elucidam sobre o fenômeno que as redes representam, em um mundo onde a excessiva exposição das marcas por meio dos canais tradicionais da mídia cada vez mais tornam o público alvo insensível – e por consequência, progressivamente inatingível.

Sendo assim, para não cairmos na armadilha de despejar aqui um mundo de generalidades, decidimos conversar com quem entende do assunto de verdade. Trazemos desta vez uma entrevista com Vinicius Mancini, sócio da Fábrica de Posts, uma empresa especializada na produção sistematizada de conteúdo para as redes sociais.

Eles não são marinheiros de primeira viagem. Nos últimos anos colocaram no ar dois projetos de grande interação na web que vale a pena conferir (São Paulo Walk e Bicicletando).

Vamos lá:

PBE Vinicius, a primeira pergunta é meio genérica, mas nem por isso menos importante, servirá para aquecermos os motores. No meio de tantos palpites sobre como uma empresa deve se portar nas redes sociais, o que de fato é relevante na sua opinião?

VM Antes de iniciar, vale dizer que não faço parte dos entusiastas das fórmulas de sucesso. Antes de pensar em como se portar nas redes sociais, a empresa deve ter em mente que sua lição de casa deve estar em dia: uma operação eficiente é um excelente começo.

Ao mesmo tempo que o ambiente em rede abre uma larga janela de oportunidades para a construção de marca, o empresário deve ter consciência de que a lógica da comunicação em rede é horizontalizada: é preciso ter propriedade sobre o conteúdo compartilhado. Não basta falar bonito, há de se ter segurança e conhecimento na informação, pois o diálogo é direto e a resposta imediata.

PBE Em termos de operação e rotina para a participação nas redes, menos é mais?

VM É importante que a empresa esteja preparada para mergulhar de cabeça na rede, pois a demanda por conteúdo é contínua. O bombardeio de informação sob o qual vivemos cresce diariamente, pessoas e marcas estão cada vez mais presentes e gerando conteúdo, o que faz com que nossa atenção seja cada vez mais disputada em nossas “timelines”. 


Como em qualquer âmbito, construir um relacionamento de qualidade é esforço de dia a dia, de troca e aprendizado mútuo; e isso demanda tempo e atenção na rotina das empresas. 

Uma boa estratégia é essencial para iniciar a operação, que segue um modelo de linha de produção, no entanto, pela velocidade da resposta do público ser exponencialmente maior do que nas mídias tradicionais, a necessidade de alinhamentos estratégicos é constante, o que exige profissionais mais experientes atuando no processo.

PBE Qual é na sua opinião o maior equívoco que uma empresa pode cometer ao se relacionar com as redes sociais?

VM Um grande equívoco (bastante comum) é enxergar as redes sociais como uma ameaça da qual a empresa deve se manter afastada.

Muito se engana o empresário ao acreditar que não ter nenhum tipo de canal aberto na rede é uma forma de se manter seguro destes riscos. O que precisa ser compreendido é que os diálogos já existem, pessoas compartilham informações, notícias, dicas e afinidades diariamente, sem parar. Uma marca pode ter a imagem arranhada na rede sem ter conhecimento disso. A quantidade de plataformas de compartilhamento de conteúdo disponíveis é vasta, de forma que até mesmo uma micro empresa como uma lanchonete de bairro, por exemplo,  pode estar sendo denegrida em um app como o “Foursquare”.

O ideal é que o próprio empresário esteja por dentro do que acontece na rede. Obviamente ele não precisa – e nem tem tempo para – ser um heavy user, mas é importante que compreenda a dinâmica, até mesmo para poder lidar de forma eficiente com o parceiro ou colaborador que se responsabilizar pela gestão de seus canais na rede.


PBE E qual seria o maior acerto?

VM Acredito que estar bem assessorada. Voltando ao início do bate papo, a empresa deve estar focada em sua operação. Ela precisa, antes de mais nada, ter propriedade sobre o conteúdo que gera.

O responsável pelo planejamento da comunicação em rede deve ter ciência de que a empresa não precisa tentar parecer algo que não é. Ela precisa ter personalidade e trazer isso para a comunicação nas redes sociais.

PBE Como você enxerga a dinâmica entre empresas e redes para os próximos anos? O quem vem por ai?

VM Acho muito complicado antevermos o futuro, especialmente em um ambiente tão volátil como a rede, onde as transformações são cada vez mais rápidas. No entanto, como vivemos na era do conhecimento, onde o acesso à informação é cada vez mais democratizado, acredito que as empresas que melhor souberem se adaptar a novos cenários e explorar este oceano de conteúdo de forma positiva e aberta, conseguirão se destacar das demais.

Até o próximo

Por: Gustavo Chierighini, fundador da Plataforma Brasil Editorial

Plataforma Brasil Editorial atua como uma agência independente na produção de conteúdo e informação

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